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sábado, 26 de maio de 2018

Flerte

Resultado de imagem para amor transitivo

Ajusto o calibre de meu olhar,

no balanço de teu corpo esguio,

vislumbrando tua beleza madura,

tua pele aveludada e teu aroma de orvalho.



Encontro neste conjunto,

       a plenitude de um prazer, deveras olvidado,

                                a graciosidade de uma visão                                                            

há muito obliterada,

capaz de preencher  de sentidos,

este desnudo espírito

que tanto procurou,

neste féretro abandono,

os rastilhos de tua implacável

candura de mulher,

encastelada nos muros altos de um  desejo

verbalmente transitivo,

onde tento encontrar

o tempo e a flexão necessárias

para o teu amor, um dia,

poder conjugar.



J. R. Messias

sábado, 19 de maio de 2018

Teu olhar


A expressão de teus olhos mestiços

revelam, por trás desse cósmico brilho, 

a cintilância de um ser 

telúrico, terno e convulso.



Que instrumentaliza as palavras

na forma de poesia, num esforço

proposital de transbordar, liricamente,

sua abençoada descompostura.



Teu aquilino olhar, seduz e incorpora

nas almas alheias, uma infanta curiosidade de

poder tuas rimas explorar,

teus segredos perscrutar e

tua poesia deleitar.







J. R. Messias

domingo, 13 de maio de 2018

Vagar



Um dia meu amor perguntou:

onde é que o amor termina e

quando a paixão torna-se peregrina?

Ressabiado, respondi, 

que o tempo que leva 

para o amor ser finalizado

é o mesmo que faz, da paixão, 

um sentimento inquietado,

vagando que nem condenado,

pelos campos de amores mundanos,

pelas estepes de uma vida cigana

e pelos desertos de dores e enganos,

numa geografia onde o amor subjaz,

em um tempo onde a esperança, rareia

onde a distância, nossa percepção, falseiam 

e os sentimentos, outrora abundantes,

ternos e partilhados, tornam-se frágeis,

distante e dissonantes.





             J. R. Messias



terça-feira, 8 de maio de 2018

Repleta




Resultado de imagem para mulher abundante


De uma feira livre,

tens todas as cores.

de uma perfumaria,

todos os odores.

De um restaurante,

todos os sabores.

De um botiquim,

todos os licores.

Dos sentimentos,

todas as alegrias e dores

De tua mente,

toda a sensibilidade

De tuas mãos,

toda a poesia e

todos os formatos

de amores.



                              J. R. Messias

terça-feira, 1 de maio de 2018

Nédios amores





Tua primaveril lembrança

exala o aroma das manhãs fagueiras

onde a memória descansa na doçura suave das maçãs 

e no vermelho intenso das amoreiras.



A sinuosidade de teu amado corpo

guarda em cada curva,

esse vendaval de segredos,

desbravados solenemente por mim

como se sorvesse os frutos de tua alma desnuda



A sequiosidade úmida de tua boca,

a urgência pecaminosa de teu olhar,

segredam desejos em tua voz rouca

e devassam meu corpo, na ânsia de amar.



Esse amor que escoa, lascivo,

pelas fontes corpóreas dos desejos,

pelo impacto de corpos luzidios 

e o acoplar de nossos vis anseios.





J. R. Messias

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Abattement

Resultado de imagem para abatimento


Como um abstêmio,
abstenho-me  deste pesar indulgente,
que acolhe o desterro desta saudade
abduzida pela sideral essência
de um desdém ciclópico,
que o devir delinea 
neste caminhar coagulado no tempo,
e que percola por entre meus dedos,
dissolvendo a miséria de uma alma,
que degenera em fluidez,
aquilo que solidifica a crença
metamórfica de um sentimento
que subjaz, no inconsciente deste amor
e na pelágica sensação deste tormento.



            J R Messias




terça-feira, 17 de abril de 2018

Idílio

Resultado de imagem para idílioPelo peitoril da janela,
vislumbro as formas precisas
de um belo chão de mosaico
e o verde musgo que brota nos muros
umedecidos por tantas invernadas.

Esse cheiro de mato molhado,
trazido pela brisa da tarde,
confunde-se com o cheiro de tua carne,
branca, abundante e profana,
onde, entre as tuas pétalas, vou repousar.

Depois, pelas esquinas solitárias
das tardes de domingo,
a luz grená do sol se fragmenta
em um vertiginoso rumorejar,
onde, de mãos dadas, vagamos
por entre verdes túneis e o
cintilar de seculares azulejos,
na paz de um amor
partilhado e mergulhado
nos tantos olhos d'água de nossos corpos
e em tantos beijos roubados.



                                           J R Messias