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domingo, 24 de abril de 2022

Minha ternura

 Permanentes  ressalvas a desativar escolhas

e a descortinar o amargor desta saudade

que entrelaça amores, cores e

valores que eternamente partilho, 

numa paixão mimetizada pelos caminhos

que erro, pelo desatino afora.


Neste silêncio que  minha  alma devora,

e em minha garganta se cala,

exaspero a necessidade de expressar

as conjugações do  verbo amar,

na adstringente   mescla

entre o cósmico e cosmético jeito

de ao teu lado, ficar.


                                  J R  Messias

quinta-feira, 21 de abril de 2022

Sanha


 Onde encontravas tu,

declinante amor deveras perdido

nos desvios e caminhos triviais

amargamente torturantes de um destino

convincente e não retilíneo,

alardeado pelo atávico meio de descolorizar

as lembranças que deixastes ,

pelas esquinas e cruzamentos dessa cidade pluvial

e tropical , locupletada de muita saudade de ti,

amor nunca trivial, sanguíneo e carnal.


                                                                    J R  Messias

segunda-feira, 21 de março de 2022

Primazia


 Como num jogo de espera,

faço o movimente que 

ela me permite (ou tolera),

no  limiar de um objetivo,

um limite monocrático,

inspirado em (minhas) regras, 

delimitadas pelos desejos do coração,

trincheira cândida 

a ser transposta na jogada ilógica,

e na palavra exata, que roça a pele

e incendeia a libido,

liberando teu cheiro que inebria as lembranças,

faina que dedico com zelo,

no acariciar de teus pubianos pelos,

no labirinto desse medonho destino confesso,

atravessando caminhos, avessos

ao teu perdão cáustico, mas elástico,

como a extensão métrica e mórbida

das paixões incompreendidas

em corações sequiosos

de uma harmonia sorvida 

sapientemente, pelo brilho

de teu olhar e da saliência 

sugestiva de teus mamilos.


                                      J  R  Messias

domingo, 9 de janeiro de 2022

Fragmentos


Fragmentado pelas lâminas desta saudade,

fotografo teu passar elegante, como se pisasses 

sobre as brasas desse meu profundo querer, a atear, 

em meus desejos, o fogo de teu negro olhar, 

a observar  o êxtase inebriado do meu,

que evitas, dispersiva, num intolerável e simulado desdém

que revelas, neste vazio esperar, bordejado de sonhos

e de poesias, que disperso-os, como balas traçantes,

a iluminar os céus deste meu anseio,

crepuscular e inescrupuloso, que margeia as dobras

deste sentimento e escoam por entre as fibras

de meu coração, idólatra que sou de tua imagem,

que energiza-me, nos poucos lampejos de tua miragem,

que rastreio, pelas ruas e esquinas, 

deste meu desejo.



                                               J R     Messias