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sábado, 31 de agosto de 2013

Geométrico


Delineado nas curvas do tempo
perfilado na constância da história,
a mecânica dessa ausência é preenchida
por lembranças fractais.

Teu egoísmo explícito transpira, efusivo
assustando o meu querer
e embaralhando os sentimentos 
contidos no continente dessa alma amorosa

Escassos são os espaços legados para
por ti deleitar meu tristonho e saudoso olhar
que se esgueira temeroso e discreto 
pelas frestas do cotidiano

No ingênuo, emotivo e sublime momento
de contemplar-te nem que seja 
por um breve segundo.

                                       J. R. Messias

Memórias


O tempo deixa marcas na alma
como escórias latejantes
que marcam nossa mente 
e pensamentos 
de lembranças prementes.

Busco arrancar, em vão
as raízes encravadas de saudade
no meu incauto coração
e carente de tanta paixão

Delineio nas páginas de minha vida
imagens fractais
que exprimem a complexidade
desse lírico querer de forma contida

Pois o platonismo desse amor
imbrica-se na práxis de uma solidão
na espera desesperada
de acolher essa saudade solapada de dor.

                                   J. R. Messias



Quase amor


Ela não sabe o quanto a esperei
O quanto quis agregar
nossa saliva
nosso suor
nosso gozo

Apático levo, esquivo, este tempo
no aprendizado da dor cotidiana e carente
de seu olhar
do seu abraço
do seu beijo

Buscando nas fantasias e nos meus sonhos
migalhas de lembranças
de um desejo
de sutis olhares
e de prazeres irrealizados 


                                  J. R. Messias



segunda-feira, 15 de julho de 2013

Aguardo





Áspera é a superfície dessa saudade
Que insiste em tocar meu corpo, alma e coração
Como um afago incontrolável, sorrateiro e epidérmico

A  sombra do teu sorriso me assola
O som da tua voz me assusta
A luz dos teus olhos me inebria
Tua presença é um acalanto ao meu insano querer.

Busco-te em meus sonhos
Guardo-te em meus pensamentos 
Desejo-te em meus delírios
E calo teu nome em minhas palavras
Pois és para mim, o sentimento de toda uma vida.


                                                   J. R. Messias

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Concreto


Na assimetria dessa saudade
na desproporção desse desejo
anseio pelo teu olhar sincrônico
entrecruzado na frieza do desprezo 

(des)espero no clamor desse poema
acender em ti um "foton" de amor
"lúmem" que dissemine o calor
e que dissipe esse dissabor

Amargas são as horas sem ti
enclausurado na bastilha dessa dor
tento amalgamar restos de lembranças
tracejados nos resquícios desse amor

Amor que me consome em fantasias
oníricas como um sonho juvenil
que atormentam minha alma outonal
mesclada de paixão e de vazio.


                             J. R. Messias


Eraser


Esquecer tua inolvidável imagem
abandonar um sentimento que subjaz
marcante, atemporal, profuso de paixão
incansável na pertinência de uma saudade sem fim.

Mascarar minha amargura na lida cotidiana
imensa forma de sofrimento implacável
no descompasso de tua lembrança amorosa
encharco-me de desejo nessa catarse indelével.

Grita meu coração tal qual um fauno
que em vão tenta captar teu cio
na selvagem agonia de meu desejo
de desfrutar teu ser, nem que seja,                                                     na suavidade de um beijo.


                           J. R. Messias