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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Ocaso




Sentimentos lúgubres
assaltam-me saudoso
na indolência ociosa
de um anoitecer vazio


Espírito ausente

corpo dormente
lembranças ardentes
leito descontente


Tardes, saudades, ócio

mesclam meu tormento
espelham o íntimo
de um amor exilado


Ausente, carente, ávido

excluso de teu carinho
exausto dessa solidão
exposto ao destino.


                    J. R. Messias

Imagem: arnobiorocha.com.br

Cio







No epitélio das lembranças
destas elucubrações poéticas
transcrevo, libidinoso
desejos pélvico falicais

Onde a maciez maciça de teu corpo
leitoso, profuso e abundante
inebria este onírico momento
tão repleto, completo e distante

No ecoar de gritos abafados
no escoar de orgásticos desejos
mesclados nas tramas do algodão
a dor de uma realidade dispersa.


                                J. R. Messias

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Peregrino


Trago minha boca e meu corpo,
castos e sequiosos pelos teus
comboiados por um ardor
e por uma represada torrente de carinhos
a açoitar meus desejos  escancarados.

Que em nenhum outro ninho
encontrará o aconchego,
a suavidade de teu carinho
e o calor de teu corpo amigo

Corpo com tantas histórias pra contar
corpo com tantas marcas do tempo
histórias que anseio partilhar
e marcas ansiadas para acarinhar

Fazer deste templo em carne e osso,
amor, desejo e paixão,
a fonte de minha peregrinações
de minhas promessas 
e de minha doce perdição.

                                 J. R. Messias

Docentemente amadas




Desejos em desalinho
mitigados a cada verso que escrevo
a cada suspiro de paixão
por elas e suas doces perversões

Tão próximas e tão sugestivas
deixam escapar no olhar
muito mais que "cuerpos hermosos"
a inebriarem minha libido

Colegas, amigas, amadas
esse cabedal bem vindo de paixões
de beijos, abraços e carinhos
carentes, urgentes, indecentes 

Portas sempre abertas, disponíveis
sendas encharcadas de aconchego
destinos partilhados pela solidão
pela proximidade e pelo apego.

  
                             J. R. Messias

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Místico

Impávido, perpetuo esta paixão
permeada pela pureza pueril
de um amor proscrito e (queira Deus),
apenas postergado.

Atônito, tento transcrever este trôpego amor
encastelado em mim nestes profanos versos
onde exponho minha paladina busca 
pelo teu encanto.

Encanto, feitiço, sina 
que me acorrenta misticamente
ao teu   ser etéreo, mágico e predestinado

                                         J. R. Messias

Impressões

Pele aveludada como frutos do ingá
olhos escuros como sementes de biribá
lábios da cor da pele do boto cor de rosa
cabelos negros como uma noite sem luar

Teu corpo, delineado de ardor feminino
ressalta curvas sensuais e precisas
numa sinuosidade meândrica e fluida
encorporada na placidez colérica de teu caminhar

Olhar segmentado e aflito de desejo
falar tenso e nervosamente empostado
gestos de um mecanicismo quase adestrado
que todo se desfaz quando o coração perdoa.


                                 J. R. Messias

Infinito

Proponho-te um paralelismo amoroso
em um contexto triangular
tendo um quadrilátero como pousio
na álgebra coerente de um amor circular

Na geometria destes versos
argumento com meus dígitos
quão exato é a desproporção
do sentimento e da ilusão

No desvario dessa inexatidão amorosa
busco um denominador comum
que contemple ao mesmo tempo tanta saudade
na relação direta dessa randômica solidão

Solidão que, cartesianamente
tal qual um conjunto vazio
insiste nesta ignóbil interseção 
de corpos e paixões que paralelamente
teimam em se encontrar no infinito.


                                      J. R. Messias