Endereço a ti, meu irascível aceno,
esperando de ti, em desespero,
um pouco de tua cena,
pode ser a mais obscena,
daquele tipo que a minha iris,
alveja como seta,
que meu pensar envenena,
que deixa minha ansiedade trêmula,
numa paixão semântica, devotada
e pecaminosa, a transpor o nexo
desse amor insano e quase lésbico,
a mapear as veredas por onde percorres,
na languidez de teus passos,
enquanto eu, em encilhado tropel
de desejos, pela tua maciez maciça
de tua cálida carne,
perco as estribeiras,
toda vez que te vejo, te ouço
e latejo de desejo.
J R Messias

