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quarta-feira, 13 de junho de 2018

Romanceado


Resultado de imagem para romance


Na temática romântica destes versos,

conduzo, solene, a minha solidão,

numa vertiginosa rota de colisão,

com a devassidão  de tua alma pagã

e na fome de possuir tua carne,

ardente como "febre terçã".


Esse desejo, que vocifero aos quatro ventos,

nidificou neste coração descrente e maculado

por uma espera inesgotável de 

fazer dos teus sonhos, os meus

dos teus limites, o nosso prosseguir

e do meu carinho, o elixir para amenizar 

todas as dores, como bálsamo que purifica

todas as chagas da paixão.


Que meu corpo e meu abraço,

sejam o teu cobertor a te proteger

das noites frias de solidão

que minha boca e minhas palavras,

sejam as fontes emissoras 

de todas as formas de te dizer,

te amo.



                                       J. R. Messias

terça-feira, 5 de junho de 2018

Sarraceno



Resultado de imagem para arte árabe


Tal qual um Beduíno, 

caminho, tendo a frente,

um inóspito deserto de inquietações,

que traduzem os percalços que, subalterno

enfrento, contrito, na procura

de um alento que permita-me encontrar

a chave que liberte-me

desta clausura Saariana e

desta Espartana carência de amar.

Que seja, pelo menos, um profano mantra

que destile a dormência  que capture e adestra,

coração e alma, a este quebranto viver,

a esta analgesia dolorosa e porosa,

que deixa impurezas em meu coração

que, convulso e resiliente,

prostra-se no Islamismo de uma oração,

na fé de encontrar nestas preces,

o milagre para livrar-me da solidão.







                J. R. Messias

sábado, 26 de maio de 2018

Flerte

Resultado de imagem para amor transitivo

Ajusto o calibre de meu olhar,

no balanço de teu corpo esguio,

vislumbrando tua beleza madura,

tua pele aveludada e teu aroma de orvalho.



Encontro neste conjunto,

       a plenitude de um prazer, deveras olvidado,

                                a graciosidade de uma visão                                                            

há muito obliterada,

capaz de preencher  de sentidos,

este desnudo espírito

que tanto procurou,

neste féretro abandono,

os rastilhos de tua implacável

candura de mulher,

encastelada nos muros altos de um  desejo

verbalmente transitivo,

onde tento encontrar

o tempo e a flexão necessárias

para o teu amor, um dia,

poder conjugar.



J. R. Messias

sábado, 19 de maio de 2018

Teu olhar


A expressão de teus olhos mestiços

revelam, por trás desse cósmico brilho, 

a cintilância de um ser 

telúrico, terno e convulso.



Que instrumentaliza as palavras

na forma de poesia, num esforço

proposital de transbordar, liricamente,

sua abençoada descompostura.



Teu aquilino olhar, seduz e incorpora

nas almas alheias, uma infanta curiosidade de

poder tuas rimas explorar,

teus segredos perscrutar e

tua poesia deleitar.







J. R. Messias

domingo, 13 de maio de 2018

Vagar



Um dia meu amor perguntou:

onde é que o amor termina e

quando a paixão torna-se peregrina?

Ressabiado, respondi, 

que o tempo que leva 

para o amor ser finalizado

é o mesmo que faz, da paixão, 

um sentimento inquietado,

vagando que nem condenado,

pelos campos de amores mundanos,

pelas estepes de uma vida cigana

e pelos desertos de dores e enganos,

numa geografia onde o amor subjaz,

em um tempo onde a esperança, rareia

onde a distância, nossa percepção, falseiam 

e os sentimentos, outrora abundantes,

ternos e partilhados, tornam-se frágeis,

distante e dissonantes.





             J. R. Messias



terça-feira, 8 de maio de 2018

Repleta




Resultado de imagem para mulher abundante


De uma feira livre,

tens todas as cores.

de uma perfumaria,

todos os odores.

De um restaurante,

todos os sabores.

De um botiquim,

todos os licores.

Dos sentimentos,

todas as alegrias e dores

De tua mente,

toda a sensibilidade

De tuas mãos,

toda a poesia e

todos os formatos

de amores.



                              J. R. Messias

terça-feira, 1 de maio de 2018

Nédios amores





Tua primaveril lembrança

exala o aroma das manhãs fagueiras

onde a memória descansa na doçura suave das maçãs 

e no vermelho intenso das amoreiras.



A sinuosidade de teu amado corpo

guarda em cada curva,

esse vendaval de segredos,

desbravados solenemente por mim

como se sorvesse os frutos de tua alma desnuda



A sequiosidade úmida de tua boca,

a urgência pecaminosa de teu olhar,

segredam desejos em tua voz rouca

e devassam meu corpo, na ânsia de amar.



Esse amor que escoa, lascivo,

pelas fontes corpóreas dos desejos,

pelo impacto de corpos luzidios 

e o acoplar de nossos vis anseios.





J. R. Messias